O que significa ser “mais que um policial”

Quando o trabalho passa a consumir tudo, como acontece com muitos policiais, a vida se torna unidimensional

Meu nome é Mike Wasilewski. Me tornar um policial foi a realização de um sonho adiado e quase esquecido de criança. Na verdade eu já tinha desistido, mas as circunstâncias mudam (milagrosamente, às vezes) e os sonhos renascem fazendo você fazer aquilo que você nasceu para fazer. Então, como eu me tornei um policial um pouco mais tarde do que a maioria, eu entrei para a família policial com orgulho e animação.

Aos 30 anos eu ainda não era grisalho, mas era mais velho que a maioria dos meus companheiros de curso de formação. Quando me formei, muitos dos policiais com quem eu estava trabalhando eram mais novos que eu, mas já tinham alguns anos de experiência a mais.

Mesmo assim, eu tinha mais experiência de vida que muitos deles. Eu era graduado em Serviço Social e tinha bastante experiência profissional, inclusive na área de saúde mental.

Não Somente Um Trabalho

Um dos benefícios de ter começado tarde, eu pensava, era que eu entraria no serviço policial com muita maturidade para me proteger da descrença e da desilusão que parecia infectar tantos outros que vieram antes de mim. Eu era mais esperto que eles (eu achava) e evitaria o “inevitável” pessimismo.

Que a polícia cobra caro de seus profissionais não era segredo pra mim. Quando jovem eu li vários livros sobre a rotina policial, depois passei filmes e programas de TV de todos os tipos. Eu era um estudante dedicado de todos eles e a maioria não poupava detalhes sobre o impacto que o trabalho tinha na vida dos policiais.

Mas eu era mais esperto. Eu poderia me manter idealista em frente à fragilidade e ao fracasso da humanidade. Eu estava estudando para meu Mestrado em Serviço Social – o que poderia abalar meu idealismo se nem isso conseguiu?

Ou assim eu pensava. Alguns poucos anos depois eu não estava surpreso de me ver desiludido, cínico e esgotado. Comecei a me perguntar se seguir meu sonho tinha sido um erro.

Não demorou muito para que toda minha identidade pessoal se tornasse simplesmente “Policial”.

Não há nada de errado em ser um policial, ou se identificar como um policial, mas eu comecei a ver o lado negativo de uma identificação tão simples. Quando essa identificação suprime todo o resto sobre você, então talvez seja hora de questionar o poder dela sobre você. Ela cobrou caro de mim, e de outros jovens policias ao meu redor. Eu comecei a ver a descrença suplantar o idealismo nos meus motivados, bem educados e entusiasmados companheiros.

Eu vi isso em mim mesmo.

Talvez eu não fosse tão esperto, afinal de contas?

Talvez houvesse uma razão para os estereótipos dos policiais na cultura popular? Talvez o stress do trabalho tivesse abalado aqueles que trabalhavam todos os dias? Talvez realmente não fosse possível evitar a descrença vinculada ao serviço policial, ou como ela acompanha aqueles que vivem a vida policial? Talvez, mas eu achava que não.

O Impacto Emocional do Autoisolamento 

Um dos problemas mais significantes que afetam alguns policiais (não todos, claro, mas o suficiente para se tornar evidente) é o autoisolamento social. Em diferentes níveis, muitos policiais fogem para dentro de uma pequena “concha” policial, isolando-se de interesses antigos, relacionamentos não policiais, velhos amigos e às vezes até mesmo da família.

Isso geralmente começa no início de uma carreira e pode ser atribuído a duas fontes diferentes, porém interligadas. A primeira fonte é logística. Trabalho em turnos, mudanças frequentes de escala, horários de trabalho imprevisíveis, e um trabalho que deve ser feito independente de fins de semana e feriados colocam a agenda do jovem policial em completo desacordo com as de velhos amigos e de sua família. É geralmente nos primeiros seis anos no trabalho que o caminho para o isolamento social é estabelecido e transformado em hábito.

A segunda fonte para o isolamento é traiçoeira. Ela serve para perpetuar o isolamento continuamente, mesmo quando ele não é mais necessário. Após anos no trabalho, o policial acumulou um vasto conhecimento essencial para sua sobrevivência física e sucesso profissional.

Depois de tentar se manter conectado com o mundo exterior por algum tempo, o jovem policial finalmente desiste, progredindo de ingênuo para desconfiado para descrente, e eventualmente decide simplesmente se isolar dentro do conhecido e confiável mundo policial.

Em um parte isso faz sentido. Mas quando o trabalho passa a consumir muito, como acontece com muitos policiais, a vida se torna unidimensional, os problemas no local de trabalho se tornam insuportáveis, a visão de mundo se distorce, e o bem estar emocional é abalado.

A triste realidade é que muitos policiais sofrem não só de estafa profissional, mas também, muitas vezes, de depressão, ansiedade, abuso de álcool, dificuldades de relacionamento e outros problemas decorrentes das (ou piorados pelas) tensões de um estilo de vida policial.

Ser “mais que um policial” significa permanecer bem equilibrado – abraçando todas as facetas da sua vida. Fique seguro, e nunca se esqueça de que esse trabalho deve ser divertido!

Este artigo foi publicado originalmente por PoliceOne, a principal fonte online de informações para policiais, e foi traduzido e adaptado pelo Força e Honra (www.SejaForcaeHonra.com.br) em parceria e com autorização da equipe editorial do PoliceOne. Visite www.PoliceOne.com para acessar notícias, comentários, informações educativas, e material de treinamento que ajudam policiais a protegerem suas comunidades e se manterem seguros nas ruas.
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