Como explicar para as pessoas por que policiais não atiram para ferir

Atirar apenas para ferir não é só inviável como também não é preferível, e essa percepção persistente provavelmente é o resultado daquilo que o diretor do Force Science Institute, Dr. Bill Lewinski, chama de “treinamento por Hollywood”.

A imaginação do desconhecimento público

Algumas pessoas continuam acreditando que atirar na mão ou na perna de um suspeito perigoso não é apenas viável, como também preferível do que atirar na massa central.

Atirar apenas para ferir não é só inviável como também não é preferível, e essa percepção persistente provavelmente é o resultado daquilo que o diretor do Force Science Institute, Dr. Bill Lewinski, chama de “treinamento por Hollywood”.

Os policiais com superpoderes dos filmes fazem com que procedimentos policiais tenham contornos mais dramáticos. Cenas em que uma arma é retirada da mão de um criminoso com um tiro, simplesmente não refletem as habilidades de um ser humane da vida real.

O que Lewinski disse em 2006 permanece verdade hoje: “Mãos e braços podem ser as partes do copro mais rápidas. Por exemple, um suspeito médio pode mover sua mão e antebraço através do corpo para um ângulo de 90º em 0,12 segundo. Ele pode mover sua mão do quadril ao ombro em 0,18 segundo”.

Lewinski disse então que: “O policial médio, puxando o mais rápido possível o gatilho de uma GLOCK – uma das semiautomáticas mais rápidas -, requer 0,25 segundo para efetuar cada disparo. Não há formas de um policial reagir, localizar, atirar e atingir com confiança o antebraço de um suspeito ou uma arma em sua mão no intervalo de tempo envolvido”.

Lewinski acrescenta, “Se um policial consegue atingir a perna de um suspeito de forma não letal, suas mãos continuam livres para atirar. Sua habilidade de ameaçar vidas não necessariamente foi interrompida.”

As realidades do combate à violência

Em primeiro lugar, devemos educar continuamente as pessoas de que policias não são treinados para “matar” – eles são treinados para interromper uma ameaça contra a vida ou a integridade física deles e de outras pessoas. Isso significa efetuar disparos na massa central do corpo até que a ameaça esteja no chão e neutralizada.

Nota-se que um criminoso que está no chão pode continuar representando uma ameaça – atingido não é igual a morto. Um atirador derrubado ainda pode continuar disparando. Um homem com uma faca pode continuar golpeando enquanto policiais se aproximam para algemá-lo.

Simplificando, acabar com a violência frequentemente requer violência – às vezes uma quantidade considerável dela – e violência nunca é bonita de se ver.

Além disso, deve-se notar que policiais também são treinados para aplicar os primeiros socorros após um incidente desse tipo. Devemos educar o público sobre as prioridades de segurança. Para policiais, a maior prioridade é a segurança das vítimas. A próxima prioridade são as vidas de outros cidadãos não envolvidos. Em seguida dos outros policiais. Em último lugar vem a do criminoso. Policiais sabem disso – algumas pessoas não.

Nos Estados Unidos a Suprema Corte já afirmou que: “as ações dos policiais devem ser consideradas à luz dos fatos e circunstâncias que a confrontam, sem levar em conta sua intenção ou motivação subjacente. A “razoabilidade” de um uso da força específico deve ser julgado a partir da perspectiva de um policial comum no local dos fatos, e sua análise deve incorporar uma tolerância para o fato de que policias são muitas vezes forçados a tomar decisões em frações de segundo sobre a quantidade de força necessária numa situação particular”.

As finalidades do uso da força letal

Cabe a nós – policiais, treinadores, especialistas, educadores e líderes – ensinar as pessoas, a imprensa e os políticos sobre os princípios fundamentais do uso da força. Nós não podemos parar de tentar, mesmo enfrentando pessoas mal informadas.

As pessoas necessitam de informações. A grande maioria do público não conhece as peculiaridades do serviço policial nem de aplicação da lei. Numa era de programas de TV e filmes de Hollywood, policiais têm a oportunidade de educar as pessoas sobre o uso da força no mundo real – e o mais importante, sobre por que policiais “não atiram para ferir.”

Gostou desse artigo? Nos siga no Facebook e acompanhe artigos como esse e muito mais conteúdo exclusivo.

doug_2

Este artigo foi publicado originalmente por PoliceOne, a principal fonte online de informações para policiais, e foi traduzido e adaptado pelo Força e Honra (www.SejaForcaeHonra.com.br) em parceria e com autorização da equipe editorial do PoliceOne. Visite www.PoliceOne.com para acessar notícias, comentários, informações educativas, e material de treinamento que ajudam policiais a protegerem suas comunidades e se manterem seguros nas ruas.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s