Militante anti PM: seu problema é com o P, e não com o M

Reunimos os principais argumentos da turminha anti PM e lhe mostraremos por que cada um deles não faz nenhum sentido

A grave crise de segurança vivida pelo Espírito Santo trouxe à tona o antigo debate sobre o fim da Polícia Militar. Ao serem apresentados aos resultados trágicos daquilo que pregam, militantes do fim da PM apressaram-se a se defender: “Não, vocês entenderam errado! Nós não queremos o fim da POLÍCIA, mas sim o fim da Polícia MILITAR! Nossa luta é pela desmilitarização! Nós sabemos a importância da Polícia na sociedade!”. Será mesmo? Pra nós não passa de balela!

Todos os argumentos desse pessoal podem ser resumidos a: o fato de a Polícia ser militar a torna violenta, despreparada e é a causa da violência no Brasil. Atribui-se ao militarismo a responsabilidade pela criminalidade no país, o que, por consequência, nos conduz à “brilhante ideia” de que tornar a polícia civil faria do nosso país um paraíso na Terra. Mas o buraco é bem mais embaixo, e nós temos algo incrível a te dizer, amigo militante anti PM, seu problema é com o P, e não com o M.

Reunimos os principais argumentos da turminha anti PM e lhe mostraremos por que cada um deles não faz nenhum sentido:

1- “Militares são treinados para a guerra”. Quem usa esse argumento só deixa claro que não faz a menor ideia de como um policial militar é formado no Brasil (e muito provavelmente toma por base filmes como “Tropa de Elite”). Boa parte dos concursos para a PM no Brasil exigem curso superior como requisito, e os currículos de todos incluem várias disciplinas de Direito, Direitos Humanos, Polícia Comunitária, Ética, dentre outras.

É evidente que existem vários treinamentos duros, que simulam a realidade enfrentada por qualquer policial no Brasil, militar ou civil. Treinamento esse, inclusive, que é aplicado a outras corporações não militares. Isso nada tem a ver com preparação para guerra (muito embora essa seja a realidade do Brasil). O militarismo para a PM é um modelo administrativo, pautado na hierarquia e disciplina, conceitos existentes em todas as organizações (até no DCE da sua Universidade).

2- “Militares não são preparados para lidar com a comunidade”. Essa é batida. Querem te fazer acreditar que um militar perde completamente suas habilidades sociais e se torna um psicopata, desprovido de empatia e compaixão, incapaz de tratar com urbanidade e respeito um cidadão. Na cabeça de um militante anti PM, os militares são treinados para lidarem somente com o “inimigo”, não estando aptos sequer a lidarem com um criminoso.

Para rebater esse argumento precisaremos do apoio de nossos amigos Bombeiros. Sim, Bombeiros, o pessoal que mexe com salvamento e combate a incêndios. Sabia que eles também são militares? Muitas vezes até “mais” militares que a PM. Já ouviu alguém acusando um Bombeiro de ser incapaz de realizar um salvamento ou combater um incêndio por ser treinado para combater o inimigo? Não, né? Isso prova que o problema dessa turma não é com o M de militar, mas com o P de polícia, o que nos leva ao item 3.

3- “A polícia é violenta por ser militar”. Não, a polícia é “violenta” por ser a polícia. A atividade policial é e sempre será inconveniente, seja ela militar, civil, ou seja lá qual for o modelo de administração que você desejar. Inconveniente porque impõe a lei (da qual você discorda), porque limita as liberdades que você acredita ter (e muitas vezes não tem), porque é a única detentora do uso da força (e uso da força nunca é bonito), porque é a primeira encarregada de mediar conflitos graves (e uma das partes sempre ficará insatisfeita), porque é ela quem te diz “não” quando você acredita ter direito ao “sim”, porque é ela quem diz que você perdeu, porque é ela quem te traz de volta à realidade e lhe apresenta às consequências de seus atos.

4- “A Polícia Militar é força reserva do exército”. Sim, assim como qualquer cidadão brasileiro com mais de 18 anos e capacidade física. Em caso de necessidade (leia-se guerra) qualquer brasileiro pode e será convocado a se incorporar às Forças Armadas. A Constituição Brasileira apenas fez menção especial às Polícias Militares por uma questão óbvia: policiais já têm treinamento com armas, preparo psicológico para confrontos e experiência em combate. Em caso de necessidade de complementação das Forças Armadas, você preferiria, inicialmente, um PM ou um corretor de seguros?

 5- “A Polícia Militar é ineficiente e incapaz de prover segurança.” Bom, parece que o caos no Espírito Santo fala por si só. Que polícia ineficiente é essa que com apenas 48 horas sem trabalhar provoca uma calamidade em um estado inteiro? O triste episódio do Espírito Santo mostra que essa polícia, nas palavras dos militantes, “militar, violenta, fascista e treinada para a guerra”, é extremamente eficaz e a responsável por manter a civilidade no Brasil. Durma com esse barulho.

 6- “As polícias de outros países são melhores porque não são militares”. Não, as polícias de outros países são “melhores” porque são de outros países. Nenhuma outra nação vive a realidade da violência do Brasil. Em nenhum outro país policiais são caçados e executados a sangue frio somente por serem policiais. As Polícias Militares brasileiras conseguem fazer o que nenhuma outra polícia no mundo conseguiria fazer aqui.

Vale ressaltar ainda que muito embora esses países não tenham Polícias Militares (legalmente), suas corporações tem uma estrutura extremamente militarizada.

7- “Policiais militares só cumprem ordens.” Esse chega a ser cômico. Militantes anti PM acreditam (talvez por influência de filmes de guerra americanos) que policias militares não têm capacidade cognitiva e que, por isso, cumpririam qualquer ordem de seus superiores, seja ela qual for, legal ou ilegal. Amigos, nenhum policial é obrigado a cumprir uma ordem ilegal. Não só não é obrigado como também será responsabilizado caso a cumpra, assim como aquele que a deu.

O problema da violência no Brasil não está na Polícia Militar, nem mesmo na Polícia. A violência no Brasil encontra guarida na impunidade e na falta de investimentos em educação. As PMs são apenas uma das responsáveis pela segurança, e não conseguem agir sozinhas..

É óbvio que a desmilitarização pode ser discutida, mas com o objetivo de se analisar seu impacto na melhoria ou não da administração interna da corporação e na forma como ela lida com seus policiais. A desmilitarização nunca pode ser vendida como a solução para a violência no Brasil e nem mesmo como uma condição para a melhoria do serviço policial no país.

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